CPT - Centro de Produções Técnicas

Nove cabritos nascidos na Universidade Estadual do Ceará (UECE) podem ser o bilhete de entrada da biotecnologia brasileira para o campo dos animais transgênicos “biorreatores” – capazes de produzir moléculas terapêuticas para uso humano. A expectativa, caso o experimento dê certo, é que as cabras geneticamente modificadas produzam em seu leite cópias de uma proteína humana usada por pacientes com sistema imunológico debilitado. Os pesquisadores ainda não sabem se algum dos animais é, de fato, transgênico. Mas a expectativa é grande. Ainda no estágio embrionário, logo após a fertilização, cada cabrito recebeu uma injeção de DNA contendo o gene humano da proteína G-CSF (fator de estimulação de colônias de granulócitos), usada para estimular a produção de glóbulos brancos e recrutar células-tronco da medula óssea. Agora que os animais nasceram, a torcida dos cientistas é para que o gene tenha sido incorporado com sucesso pelos embriões, o que significa que as cabras passarão a produzir a proteína humana no leite. A molécula poderia, então, ser purificada e usada na produção da droga, que hoje precisa ser importada. “Estamos só esperando que todos os animais nasçam para fazer o teste de DNA e ver se algum deles é transgênico”, disse o pesquisador Vicente Freitas, que coordena o projeto na UECE. Outras quatro cabras que receberam embriões modificados devem dar à luz ainda neste mês. Mesmo que apenas um dos filhotes seja transgênico, já será um grande sucesso. Segundo Freitas, com uma boa expressão do gene, é possível obter até 10 gramas de proteína por litro de leite. “Com um pequeno rebanho daríamos conta de toda a demanda nacional por G-CSF.” A tecnologia foi desenvolvida inicialmente em camundongos, em parceria com um grupo de cientistas russos que passaram sete anos no Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “O caminho já está todo mapeado. O desafio agora é transferir a tecnologia do camundongo para a cabra”, diz o cientista Antonio Carlos Carvalho, que na época era diretor do instituto e ajudou a organizar o projeto. A produção de biorreatores é uma das áreas de fronteira da biotecnologia – combinando, em muitos casos, técnicas de transgenia e clonagem. A idéia é transformar os animais em fábricas vivas de moléculas terapêuticas que hoje só podem ser produzidas em grandes instalações ou por métodos mais complicados de cultivo. “É claro que produzir um animal biorreator é muito mais barato do que construir e manter uma linha de produção”, compara Carvalho. Vários projetos estão em andamento no mundo, envolvendo principalmente caprinos e bovinos. Alguns deles, em estágio bastante avançado. No Brasil, cientistas da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia estão tentando criar vacas clonadas transgênicas com o gene humano do fator 9 de coagulação do sangue, usado no tratamento de hemofílicos. “Esperamos ter animais que produzam esse fator no leite”, diz o pesquisador Elibio Rech. Nesse caso, em vez de injetar o gene em embriões, os cientistas produzem a modificação genética em células de vacas adultas in vitro, que depois são usadas no processo de transferência nuclear para produzir embriões clonados. A técnica também já foi testada com sucesso em camundongos e os primeiros testes com embriões bovinos devem começar ainda neste mês. (Fonte: Estado de SP, adaptado pela Equipe Milknet)

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