CPT - Centro de Produções Técnicas

A empresa de alimentos BRF informou nesta quarta-feira que fez acordo para vender suas unidades e marcas de lácteos para a Parmalat S.p.A., empresa com sede na Itália pertencente ao grupo Lactalis, por 1,8 bilhão de reais. Entre as marcas desse segmento vendidas pela empresa em meio a uma reestruturação, em busca de melhores margens, estão a Batavo e a Elegê. O negócio envolve a venda de 11 unidades situadas em dez localidades: Bom Conselho (PE), Carambeí (PR), Ravena (MG), Concórdia (SC), Teutônia (RS), Itumbiara (MG), Terenos (MS), Ijuí (RS), Três de Maio I (RS), Três de Maio II (RS) e Santa Rosa (RS). Segundo a empresa, o valor da transação estipulado no Memorando de Entendimentos, de 1,8 bilhão de reais, é sujeito a determinados ajustes e à verificação de condições precedentes e aprovações regulatórias aplicáveis a transações dessa natureza. A companhia informou ainda que outorgou à Parmalat exclusividade durante o período de negociação dos contratos definitivos da transação. O segmento negociado obteve receita líquida de 2,6 bilhões de reais em 2013. Maior companhia de lácteos no mundo desde 2011, após adquirir os ativos da Parmalat SpA, a Lactalis, com faturamento global de 16 bilhões, começou suas atividades no Brasil no ano passado, com a compra da Balkis. Desde então, começou a olhar outros negócios para expandir sua atuação no país. No fim de agosto, a companhia francesa chegou a um acordo com credores para comprar parte dos ativos da LBR, que entrou com pedido recuperação judicial no ano passado. A empresa ofereceu, no último dia 21, R$ 250 milhões por seis unidades produtivas da LBR no país, localizadas principalmente em Minas Gerais. "Com essas operações (BRF e LBR), a Lactalis se torna uma das maiores captadoras de leite do país", disse uma fonte de mercado. Uma pesquisa da revista Supermercado Moderno cita BRF e LBR como as principais referências do varejo em leite de caixinha. Dados de 2013 mostram que a BRF era a vice-líder em captação de leite, com cerca de 1,4 bilhão de litros/ano no país, atrás da Dairy Partners Americas (DPA), joint venture entre a suíça Nestlé e a neozelandesa Fonterra, com 2,033 bilhões de litros. Em maio, Nestlé e Fonterra anunciaram o fim da parceria na América Latina. Isso dividirá a captação das duas companhias e poderá colocar a Lactalis na liderança do segmento no Brasil. Até 2012, a LBR era a vice-líder em captação de leite no país, segundo dados da associação Leite Brasil. Segundo fontes de mercado, o acordo com a BRF não deve impor dificuldades à incorporação de parte da LBR pela Lactalis, uma vez que a oferta já foi aprovada em assembleia de credores e só depende da aprovação do juiz responsável pelo processo de recuperação judicial. Além disso, o setor de lácteos no país é muito pulverizado, o que reduz a hipótese de o negócio ser barrado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). <b>Prioridade</b> No início deste ano, a BRF decidiu colocar à venda os ativos de lácteos – com as marcas Batavo e Elegê – por não ser o principal negócio da companhia de alimentos, dona das marcas Sadia e Perdigão. Essa divisão de negócios faturou R$ 2,8 bilhões no ano passado. Depois de receber várias propostas, a BRF selecionou quatro ofertas para os ativos de Lácteos. Estavam no páreo, além da Lactalis, a francesa Danone, a canadense Saputo e a americana General Mills. Assessorada pelo Itaú BBA, a BRF considerou a proposta da Lactalis, assessorada pelo banco Indusval, a mais adequada. As propostas estavam sendo ajustadas ainda ontem pelos conselhos de administração das duas empresas. Procurada, a BRF não comenta o assunto. Nenhum porta-voz da Lactalis foi encontrado pela reportagem. O mercado de lácteos no Brasil vive um momento de consolidação, atraindo interesse de capital estrangeiro. A própria Lactalis chegou a fazer proposta pelos ativos da LBR antes de a empresa entrar com pedido de recuperação judicial. Agora, negocia apenas um pedaço da companhia. Ao todo, as propostas na mesa pelos ativos da LBR somam R$ 530 milhões. As demais unidades e ativos devem cair nas mãos de concorrentes (como Laticínios Bela Vista e Cooperativa do Vale do Rio Doce) e de empresas como a ARC Medical Logística.

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