CPT - Centro de Produções Técnicas

Os preços globais dos lácteos recuaram de forma expressiva no segundo trimestre do ano, observa relatório sobre esse mercado divulgado pelo Rabobank. Entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, o preço da tonelada de leite em pó integral saiu de US$ 5.043 por tonelada FOB Oceania para US$ 4.185, informa o banco citando dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Um ano antes, o valor era de US$ 5.202 por tonelada. A região, onde se localiza a Nova Zelândia, é formadora de preços para o mercado internacional de lácteos. De acordo com os analistas do banco holandês, os preços recuaram como resultado da melhora da produção de leite nas regiões exportadoras e redução das compras futuras pela China. Isso liberou, segundo o Rabobank, mais produto para outros compradores. “A redução nas compras chinesas foi significativa, num sinal de que a indústria chinesa acumulou estoques excessivos depois de um período de compras vigorosas, melhora na produção local e vendas locais mais fracas. Os preços atuais no mercado internacional abaixo do que nós vemos como sustentável no médio prazo”, disse Tim Hunt, analista do Rabobank. Conforme o relatório, a produção de leite subiu a uma taxa “sem precedentes” nas regiões exportadores, uma vez que os produtores responderam a cotações quase recorde do leite, custos mais baixos de ração e clima positivo de uma forma geral. Sempre segundo o Rabobank, os sete grandes exportadores juntos elevaram a produção de leite em 5,5% (ou 5,4 bilhões de litros) nos primeiros quatro meses do ano. Metade desse aumento veio da União Europeia, onde o clima particularmente bom e investimentos antes da retirada das quotas de produção no próximo ano geraram um crescimento de 6% no período. O relatório observa que Brasil e Nova Zelândia também apresentaram expansão “excepcional”. Do lado das importações, o Rabobank informa que países compradores — que estavam de lado enquanto a China adquiria grandes volumes — voltaram ao mercado. No entanto, sua demanda foi afetada por vendas menores em muitos mercados emergentes e pela depreciação de muitas de suas moedas. Em relação ao Brasil, o Rabobank observa que a disponibilidade crescente e o câmbio mais competitivo permitiram que a indústria brasileira elevasse as exportações nos primeiros quatro meses do ano. Agora, segundo os analistas da instituição financeira, uma preocupação para os produtores brasileiros é a indústria está estocada justamente quando o mercado internacional precisa menos dele — com os preços internacionais tendo recuado de forma significativa. Assim, existe a possibilidade de os preços domésticos começarem a cair de forma significativa na segunda metade do ano, uma vez que pode haver mais oferta no mercado local. Na visão do Rabobank, o crescimento da produção deve desacelerar no segundo semestre deste ano, à medida que os preços mais baixos forem passados aos produtores e o clima se normalize. O consumo nas regiões exportadoras também deve melhorar lentamente, reflexo de rendas mais elevadas, crescimento do emprego e queda dos preços no varejo. Conforme o analista Tim Hunt, juntos, esses fatores devem gradualmente levar a um mercado mais ajustado no decorrer do ano. Contudo, segundo ele, a expectativa é de “pouca melhora nos preços até o fim de 2014 ou início de 2015”, uma vez que a China tem estoques altos e o mundo continua a consumir os volumes produzidos na primeira metade do ano. O Rabobank alerta também para os possíveis efeitos do El Nino no mercado de leite. O evento climático poderia levar a condições de seca pouco comuns no sudeste da Austrália e chuva em excesso na Argentina. Nos dois países, isso poderia significar redução na produção de leite.

Banner CHR Hansen 2020

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here