CPT - Centro de Produções Técnicas

Vinte pessoas foram presas nesta terça-feira suspeitas de participarem da adulteração de leite no Oeste catarinense e no RS. Elas teriam ligação com duas empresas, a Latícínios Mondaí e a Laticínios Lajeado Grande. A investigação iniciou há cinco meses após denúncias recebidas pelo Ministério da Agricultura (Mapa). Ontem, o Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) realizou as operações Leite Adulterado I e II. Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em Mondaí e Lajeado Grande e em Chapecó, Xaxim, Ponte Serrada e Vista Alegre (RS). Entre os presos estão proprietários das empresas, técnicos de laboratórios e funcionários. Em Mondaí, no Oeste, dos sete detidos está um dos sócios da Laticínios Mondaí e ex-prefeito da cidade, Irineu Bornholdt. Além do lote de número H:16:03 L59, fabricado em 7 de junho de 2014, com validade até 5 de outubro deste ano, sob inspeção do SIF/DIPOA, número 0038/1501, da marca Lajeado Grande recolhido na semana passada, foram tirados de circulação os lotes 54, 67 e 71 da mesma marca. O caso está sendo investigado pelo Ministério de Agricultura. Imagens mostrariam adição de químicos O Gaeco afirma que conseguiu imagens de funcionários das empresas adicionando produtos químicos em caminhões. Uma funcionária reclamaria que queimou o dedo com o produto, funcionários estariam lavando os braços no leite e o produto apareceria borbulhando após a adição dos químicos. De acordo com o Gaeco, os produtos adicionados seriam formol, soda cáustica e água oxigenada e o objetivo seria recuperar leite deteriorado. Também há suspeita de adição de água para aumentar o volume do produto. O major José Ivan Schelavin afirma que a compra dos produtos químicos era realizada no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) de uma metalúrgica que já estava desativada há um ano. — Em um ano foram adquiridos 1,5 mil quilos de soda e oito toneladas água oxigenada — relatou. A estimativa é que dois caminhões com cerca de 70 mil litros de leite cru – metade da produção dos laticínios – eram enviadas diariamente para empresas de São Paulo, segundo o major. O restante era comercializado nos três estados do Sul. Para o promotor da comarca de Xanxerê, Eduardo Sens dos Santos, as empresas que recebiam esse produto deveriam desconfiar da qualidade pela distância percorrida. O inquérito deve ser concluído em dez dias e, em 15 dias, deve ser oferecida a denúncia. O coordenador regional do Gaeco na Região Oeste, Fabiano Baldissarelli, afirma que os envolvidos podem ser enquadrados em crimes como organização criminosa, falsidade ideológica e adulteração de produto alimentício, penas que somam no mínimo oito anos de detenção. Contraponto As empresas citadas foram procuradas, mas ninguém atendeu as ligações. Na casa de Irineu Bornholdt, ninguém quis falar sobre o assunto. Até o final da noite, os suspeitos não tinham advogados constituídos. Objetivo seria aumentar a validade A professora Alcilene Monteiro, do departamento de engenharia química de alimentos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), alerta que as adulterações podem ocorrer nos diferentes tipos de pasteurizações – que consiste no tratamento térmico do leite para eliminar microorganismos. Ela explica que quando o leite chega do produtor para a indústria, ele passa por uma análise que inclui testes de gordura, PH e antibiótico, feitos pela empresa de laticínios. Em seguida, o produto é levado para o armazanamento, onde é refrigerado entre 4ºC e 7ºC. O tempo de armazenamento, antes da embalagem, é de 48 horas. Após este prazo o leite começa a azedar. É neste momento que algumas empresas tentam aumentar a validade do produto. — Provavelmente, como querem aumentar o tempo de estocagem, as empresas adicionam as substâncias como formol, água oxigenada, aumentando a vida útil do alimento. A soda cáustica é usada no leite para disfarçar o gosto quando já está azedo — explica. "Cuide o cheiro e a consistência" Raquel Bittencourt, diretora da Vigilância Sanitária de SC Diário Catarinense – Quais são os prejuízos para a saúde? Raquel Bittencourt – O formol é potencialmente cancerígeno, mas tem um odor forte. Não temos informação que alguém tenha ingerido nestes casos. Já a soda cáustica e a água oxigenada mascaram a qualidade do leite azedo e se dissolvem com a água. DC – Quais os sintomas ao consumir? Raquel – Uma dor estomacal e acidez no esôfago. Mas não temos relatos de pessoas que tenham ingerido. DC – O que fazer para evitar o consumo de um produto adulterado? Raquel – Observar sempre se ele tem cheiro forte e se a consistência está alterada. Não beber e fazer contato com os órgãos responsáveis.

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