CPT - Centro de Produções Técnicas

Depois da descoberta de nova fraude no leite, com adição de água e sal ao produto, produtores do Norte do Rio Grande do Sul estão enfrentando dificuldades para conseguir vender o produto. Em alguns casos, agricultores estão tendo que jogar o leite fora. Na semana passada, quando foi deflagrada a sétima fase da Operação Leite Compensado, o Ministério Público (MP) descobriu que em diversos casos o produto já saía adulterado da propriedade rural. Ao todo, 16 pessoas foram presas e um posto de resfriamento interditado. O problema recaiu também sobre os agricultores que não alteravam o produto e foram prejudicados. Pelo menos 300 famílias da região que têm no leite seu sustento estão tendo que se desfazer do seu estoque. Um dos casos é o da família Zonin, de Viadutos, que se mantém com cerca de R$ 2 mil mensais obtidos com a venda de leite. Como o leite não é recolhido há uma semana na propriedade, a família tem que encontrar formas alternativas de aproveitar o produto. "A gente está tentando aproveitar fazendo queijos, doce de leite, sorvete. Tudo o que a gente pode aproveitar a gente está fazendo aqui na propriedade", diz a produtora Ines Zonin. De acordo com Douglas Cenci, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetag), após a descoberta de fraude o consumo do leite tem caído e as empresas não tem conseguido comercializar o produto. "Em função de todos os acontecimentos, houve uma queda drástica no consumo, que tem ocasionado um estoque muito grande", explica. Aqueles que ainda conseguem manter a venda do produto perdem no preço. O litro, que até então era vendido a R$ 0,90, agora está sendo comercializado por apenas R$ 0,40. A Cotrel, uma cooperativa da região a qual pertencia um dos postos de resfriamento envolvidos da fraude, cancelou o recebimento de leite até, pelo menos, o fim do ano. Enquanto isso, quem mais sofre são os pequenos produtores. Sem ter onde armazenar, o produtor Milton Baldissera distribui o produto para os vizinhos e com o restante alimenta os animais. "A gente se pergunta: quem vai pagar todo esse prejuízo para nós?", questiona.

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