CPT - Centro de Produções Técnicas

Os produtores de leite iniciam 2014 com adversidades. Houve aumento dos custos de produção e queda nos preços recebidos, de acordo com estudo mensal do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Segundo a pesquisa, o Custo Operacional Efetivo (COE), que engloba as despesas rotineiras da atividade leiteira, e o Custo Operacional Total (COT), que contempla o COE acrescido da depreciação dos bens de produção e do pró-labore, subiram 2,29% e 2,15%, respectivamente no período de dezembro de 2013 a fevereiro de 2014. Em contrapartida, os valores pagos ao pecuarista caíram, em média, 5,09% no período. O resultado foi que o produtor perdeu, em média, R$ 0,078 centavos por litro de leite comercializado. Os pesquisadores avaliam que a alta nos custos esteve relacionada à seca na região Centro-Sul do País entre janeiro e fevereiro e ao aumento do salário mínimo. Quanto ao preço do leite, a queda foi influenciada pelo aumento do volume de produção. No fim de 2013, recordam os pesquisadores, as pastagens estavam em boas condições e muitos pecuaristas de leite investiram na atividade, influenciados pelo maior poder de compra naquele ano, resultando em significativo aumento da produção. "Ainda que a demanda não tenha enfraquecido significativamente, foi o acréscimo expressivo da produção que acarretou na queda dos preços recebidos pelo produtor de leite no fim de 2013 e início de 2014", revela a pesquisa. A tendência do mercado nos próximos meses preocupa o setor, já que são de alta as expectativas das cotações dos insumos que compõem o grupo "concentrado" (que responde, em média, por 42% do COE da atividade). Em compensação, grande parte dos colaboradores consultados pela Equipe Leite do Cepea estima que as cotações do leite podem subir, por causa dos efeitos negativos da seca e do início do período de entressafra. Em geral, todos os Estados acompanhados pelo Cepea apresentaram elevação nos principais grupos de insumos que compõem a cesta dos custos da pecuária de leite, estreitando a margem do produtor. Dentre os Estados acompanhados pelo Cepea, Goiás registrou o maior aumento no COE, de 5,2% no acumulado do ano, influenciado pela alta generalizada dos preços dos insumos dos grupos "sal mineral" (3,6%), "concentrado" (6,7%), "silagem" (5,9%), "manutenção de forrageiras perenes" (6%) e também pelo reajuste na "mão de obra" (6,78%). No outro extremo, o Rio Grande do Sul teve a menor alta nos custos, de 1,9% no COE, informa o Cepea. Apesar da região ter registrado uma elevação no grupo "sal mineral" (3,76%) e o maior reajuste no valor do salário mínimo, de expressivos 12,7%, o "concentrado", que representou 39,9% do COE do Estado, caiu 0,86%, contrabalançando o aumento das cotações dos outros grupos.

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