CPT - Centro de Produções Técnicas

Cerca de 4 mil famílias de agricultores familiares que integram a Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA) serão beneficiadas com a reestruturação da antiga fábrica de laticínio Camila no município de Batalha, situado na bacia leiteira do sertão alagoano. Por meio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), o Governo Federal está investindo mais de R$ 16 milhões na aquisição de máquinas e equipamentos que fortalecerão a cadeia produtiva do leite em Alagoas. Os recursos são de destaque orçamentário do Ministério da Integração Nacional, no âmbito do Plano Brasil sem Miséria, e do Orçamento Geral da União oriundos de emendas parlamentares. Com os investimentos, o leite produzido por milhares de famílias poderá ser transformado em produtos de alto valor agregado como o leite em pó, o leite condensado, o creme de leite, o iogurte cremoso, entre outros produtos lácteos, gerando mais renda e auxiliando na fixação das famílias no campo. Fechada há aproximadamente seis anos, a fábrica Camila foi adquirida pela CPLA. Agora, a Codevasf e demais parceiros, como o Governo de Alagoas, trabalham para reestruturar a bovinocultura leiteira na região da bacia leiteira do sertão de Alagoas, em cujo fortalecimento a Codevasf começou a atuar ainda no final da década de 1970. “O fomento à atividade de bovinocultura leiteira não é novidade na atuação da Codevasf. Desde o final da década de 1970 até o início da década de 1990 nós atuamos fortemente na estruturação da atividade na região da bacia leiteira do sertão de Alagoas com a profissionalização da produção leiteira, sobretudo no que diz respeito ao pequeno produtor”, conta o chefe da Unidade Regional de Desenvolvimento Territorial da Codevasf em Alagoas, o economista Thiago Cedraz. Ele lembra que, na década de 1970, a Codevasf implantou nessa região um grande centro de reprodução artificial, no município de Batalha, dotado de diversos laboratórios e com profissionais de variadas formações, e até importou matrizes holandesas. “Mais tarde, houve a importação de embriões para melhoria genética e a promoção regular de cursos de inseminação artificial com produtores. Isso resultou no melhoramento genético do rebanho bovino, o que é notado até hoje”, aponta. Segundo o técnico da Codevasf, a ideia é retomar essa tradição de investimentos junto à bacia leiteira para gerar um impacto social de maior relevância, “e que a reabertura da Camila resulte num ganho de qualidade de vida para os produtores familiares da região”, frisou. Com os investimentos e a reativação da indústria, agora organizada em cooperativa, a Codevasf aposta na redução da dependência das compras governamentais por parte dos produtores familiares de leite, e espera-se a abertura de novos mercados a partir da produção de produtos lácteos com maior valor agregado como leite condensado, leite em pó e soro em pó, acrescenta Cedraz. <b>Diversificação de produtos</b> Com uma produção mensal de leite dos cooperados girando entre 80 e 90 mil litros, segundo o presidente da CPLA, Aldemar Monteiro, a cooperativa vê no projeto um caminho para a melhoria da vida dos agricultores familiares do semiárido alagoano. “Construímos esse projeto junto com parceiros como a Codevasf para consolidar e fortalecer o agricultor familiar no campo. Nosso grupo de produtores de leite da CPLA é formado por agricultores que se enquadram nos critérios do Plano Brasil sem Miséria, do governo federal. Assim, a ideia do projeto é fortalecer a atividade para que esse agricultor possa fortalecer sua vida no campo. Em estudo junto ao Sebrae, descobrimos que a atividade leiteira é uma das melhores para serem executadas no semiárido alagoano”, destacou o presidente da CPLA. Monteiro apontou ainda que a diversificação de produtos lácteos, a exemplo do leite em pó, deverá dar mais segurança aos produtores com a facilidade de estocagem e comercialização da produção excedente. Segundo dados do presidente da CPLA, 73% do leite consumido no Nordeste é comercializado em pó. “Como cooperativa, temos que escoar a produção do leite excedente, que é um produto perecível. Então coube à CPLA buscar parceiros como a Codevasf e o Ministério da Integração Nacional. A ideia é buscar esse excedente que o produtor já possui e transformá-lo em renda com valor agregado. Mas como fazer isso? A solução pensada foi através de uma grande indústria que possa ser a integradora do pequeno produtor e comercializar o produto dele em diversos mercados”, explica Monteiro. “Hoje o produtor tem condições de produzir muito mais leite, mas a cooperativa não tem mais como escoar essa produção. A partir do momento que tenhamos uma indústria produzindo leite em pó, por exemplo, poderemos armazenar e entrar em outro mercado”, completa. <b>Alimento para o rebanho</b> Até o momento, a Codevasf já adquiriu máquinas e equipamentos como caldeiras e sistemas de resfriamento e de produção de vapor, que estão em processo de repasse à CPLA. A cooperativa também receberá cerca de 600 máquinas forrageiras visando o processamento de alimentos para o rebanho dos cooperados. A reestruturação da Camila irá beneficiar famílias produtoras de leite dos municípios de Batalha, Olho D’Água das Flores, Olho D’Água do Casado, Piranhas, Delmiro Gouveia, São José da Tapera, Carneiros, Senador Rui Palmeira, Major Isidoro, Monteirópolis, Jacaré dos Homens, Jaramataia, Craíbas, Dois Riachos, Santana do Ipanema, Pão de Açúcar, Maravilha e Olivença. Para aquisição de boa parte dos equipamentos e máquinas, a Codevasf firmou convênio para repasse de recursos à Secretaria de Estado da Pesca e da Agricultura de Alagoas (Seapa/AL) – que, além da compra, fará também a instalação do sistema para processamento de leite multitubular à vácuo tipo evaporador e de uma máquina multiuso termoformadora de bandejas para envase de iogurte cremoso, sobremesas e bebidas lácteas, entre outros equipamentos.

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