CPT - Centro de Produções Técnicas

O agronegócio mineiro deve fechar o ano com faturamento de R$ 163,322 bilhões. Segundo relatório divulgado hoje pela FAEMG (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais), R$ 75,677 bilhões (46,47%) devem ser resultantes da agricultura e R$ 87,645 bilhões (53,53%), da pecuária. Esta é a conclusão do Relatório do PIB do agronegócio mineiro, estimado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da ESALQ/USP, com o apoio da FAEMG, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Regional Minas Gerais (SENAR MINAS) e da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa). Em julho, último mês analisado, o agronegócio mineiro apresentou retração de 0,19%, já trazendo desdobramentos do ambiente econômico adverso. Ainda assim, o estado apresenta expectativa de crescimento de 0,45% no ano e perspectiva de ligeiro avanço em sua participação no PIB do agronegócio nacional, estimada em 13,27%. O desempenho negativo no mês é influência principalmente do decréscimo verificado no ramo pecuário, que apresentou queda de 1,07% no mês, frente ao crescimento de 0,84% do ramo agrícola. Contribuíram com a queda do ramo pecuário, principalmente, os produtos lácteos e proteína de origem suína. A coordenadora da Assessoria Técnica da FAEMG, Aline Veloso, destaca o desempenho dos segmentos de insumos, com alta de 1,77%, e da indústria, 0,88%. Segundo ela, no caso dos insumos, a queda nas vendas de fertilizantes e corretivos pode ser especialmente notada nas culturas de grãos e algodão, refletindo a dificuldade de acesso dos produtores à obtenção de crédito de pré-custeio para a safra 2015/16: “Ademais, o dólar alto elevou consideravelmente os preços, restringindo também a compra. Este fator atingiu especialmente os produtores de cana, que também não tiveram acesso a recursos para renovação dos canaviais". Com relação à agroindústria – que representa 23,83% do PIB do agronegócio mineiro -, Aline destaca que o bom desempenho é resultado do crescimento de 0,13% dos setores de base animal, e de 1,05% das atividades de processamento vegetal: “Apesar da indústria, de uma forma geral, ter sido fortemente atingida pela crise e estar amargando resultados negativos, a agroindústria vive momento melhor. Isso deve-se, especialmente, ao aumento da produção de álcool hidratado para produção do etanol (combustível que está mais competitivo frente à gasolina e tem sua demanda aquecida) e a modificação tecnológica para aumento da oferta de café monodose". <b>Agricultura</b> A cotação média e a produção para o conjunto das atividades agrícolas apresentaram crescimento de 1,75% e 1,51%, respectivamente, com relação ao mesmo período do ano anterior. Entre os produtos acompanhados em Minas Gerais, tiveram aumento de faturamento no acompanhamento até junho: café (7,66%), cana-de-açúcar (0,22%), feijão (28,03%), batata (16,02%), laranja (5,79%) e banana (9,57%). Para o café, produto de maior representatividade na agricultura mineira, a expectativa é de que a colheita de 2015 seja 1,31% maior que a do ano passado, conforme dados do IBGE. Já com relação aos preços, a elevação acumulada foi de 6,27% na comparação com julho/14. Segundo pesquisadores do Cepea, o clima foi favorável em julho para a produção do café arábica, inclusive o tempo seco que ajudou na secagem dos grãos no início do mês. Porém, o percentual colhido em julho ainda foi inferior ao do mesmo período do ano passado. <b>Pecuária</b> No segmento primário da pecuária, o avanço foi de 1,07% em julho, com o preço médio ponderado 5,75% maior que no mesmo período de 2014 e retração de 2,92% na expectativa de produção para o ano. Bois, vacas e frangos apresentaram evolução positiva em faturamento, de 0,29%, 14,71% e 6,86%, respectivamente. Leite, ovos e suínos retraíram-se 5,21%, 3,26% e 3,65%. Com relação a bovinos, em Minas Gerais, os preços reais para o boi acumulam alta de 17,36% a.a. e, para vacas, de 17,25% a.a. Na atividade leiteira, a produção cresceu 7,75% a.a. e os valores acumulam queda de 12,02% em julho. <b>Cenário Macroeconômico</b> Com relação ao ambiente econômico, verifica-se um agravamento do cenário de crise diante das dúvidas do mercado quanto à capacidade do governo em promover medidas de ajuste e reequilíbrio das contas públicas. Segundo o último relatório Focus de setembro, divulgado pelo Banco Central, o mercado prevê queda de 2,80% do PIB Brasileiro, ante a última revisão da expectativa oficial do governo de declínio em 2,44%. A expectativa de inflação continua elevada para 2015 (9,46%), assim como a taxa de câmbio prevista para o fim do ano (3,95 R$/US$). No agronegócio, já se percebe o desaquecimento econômico sobre alguns setores e as expectativas se mantêm pessimistas: o Índice de Confiança do Agronegócio, elaborado pela FIESP e OCB, recuou 2,7 pontos na pesquisa do segundo trimestre de 2015. Nesse contexto de deterioração dos indicadores macroeconômicos, apenas a expectativa do dólar elevado gera efeito positivo sobre o agronegócio, tendo em vista o mercado exportador. O saldo da balança comercial brasileira se tornou positivo novamente desde junho, com grande influência de produtos do agronegócio na pauta exportadora. Porém ainda assim cabe ponderar o reflexo sobre o mercado de insumos, majoritariamente suprido por importados e que já apresenta forte elevação de preços.

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