CPT - Centro de Produções Técnicas

O preço do leite longa vida subiu nas últimas semanas, em São Paulo. No varejo foi registrada alta de 12% nos preços médios, de janeiro a abril, de acordo com acompanhamento mensal da Scot Consultoria. Ao final de abril, a média dos valores mais altos já atingia R$1,55/litro de leite longa vida no varejo. Tal comportamento leva a crer que em maio, o mercado possa fechar em valores 18% acima dos praticados no início do ano. Em alguns pontos de venda já era comum preços do longa vida em torno de R$1,60 a R$ 1,70/litro, nas prateleiras. O repasse dos valores de varejo já era esperado. Ao final de abril, a diferença entre a média dos preços do varejo e do atacado foi a mais baixa já registrada desde 1999, quando a Scot Consultoria iniciou o acompanhamento. Era, portanto, evidente que o setor repassaria a alta no preço do leite ofertado pelas indústrias. Em meados de maio, uma das maiores preocupações nas empresas se relacionava ao comportamento do consumidor diante das recentes altas. Muitos consideram que o preço do longa vida próximo dos R$1,60/l é um valor alto para o mercado brasileiro. De fato, a rápida ascensão dos preços tende a provocar alguma retração nas compras. É o comportamento esperado diante de altas repentinas. No entanto, será mesmo que os valores atuais do leite são altos para o padrão do consumidor brasileiro? Nos últimos oito anos, o brasileiro pagou, em média, R$1,64/litro de leite longa vida. Nos anos de 1999 a 2002, período em que o longa vida ultrapassou a marca dos 70% do mercado de leite fluído no Brasil, o valor médio foi R$1,86/litro no varejo. Geralmente atribui-se o baixo valor do leite ao poder aquisitivo do consumidor final. Porém, o comportamento dos valores apresentados na tabela 1 não corrobora com tal afirmação. Nos últimos anos, desde o início do plano Real, o poder aquisitivo do consumidor aumentou constantemente. Da década de 50 até meados da década de 90, o assalariado empobreceu ano a ano. A partir de 1994 a situação se reverteu. O valor do salário tem aumentado acima da inflação. No período, o aumento real do salário mínimo foi de 54%. Portanto, é inconsistente a afirmação de que o preço do leite não pode subir por causa do poder aquisitivo do brasileiro. O que falta, realmente, é marketing ou um plano estratégico para incentivar o consumo. Os preços históricos mostram que seria perfeitamente viável, economicamente, trabalhar com preços do longa vida superiores a R$1,80/l no varejo. Evidentemente que a recuperação dos valores do leite dependeria de um planejamento bem elaborado, de longo prazo, envolvendo todos os elos da cadeia do leite, que tem interesse na valorização do mercado. Trata-se de um grande desafio que, apesar de todas as dificuldades, não pode ser ignorado.

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